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Psicóloga em S. Paulo - Psicóloga Maristela Vallim Botari - CRP/SP 06-121677

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Psicóloga comenta: Porque algumas críticas incomodam

Por que Algumas críticas incomodam tanto?

Antes de falar sobre os incômodos causados pela crítica, é necessário definir o que é crítica.

 

Por que Algumas Críticas Incomodam Tanto? 

No sentido filosófico inaugurado por Kant, “crítica” não significa censura ou reprovação, mas exame rigoroso. Para Kant, criticar é submeter algo à análise das suas condições, limites e fundamentos. 

Trata-se de um exercício racional de investigação que busca compreender a validade, a coerência e os pressupostos de uma afirmação ou ação.

Assim, crítica é, essencialmente, um juízo fundamentado — um ato de avaliar à luz de critérios. Ela implica reflexão, argumentação e responsabilidade racional. 

A critica nossa de cada dia 

Quando deslocamos essa noção para o campo das relações humanas, podemos entender a crítica como um julgamento que deveria estar apoiado em critérios claros e justificáveis, e não em impressões arbitrárias ou generalizações.

Portanto, em sua origem conceitual, crítica é um exercício de razão. 

O desconforto que muitas vezes sentimos pode decorrer justamente do afastamento dessa dimensão racional — quando o julgamento não se apresenta como exame fundamentado, mas como opinião desprovida de critérios explícitos.

Em outras palavras: podemos dizer que criticar não é atacar, mas avaliar. O problema começa quando essa avaliação deixa de ser racional e passa a ser apenas opinião impulsiva, julgamento apressado ou tentativa de diminuir o outro. 

 Psicóloga comenta: Porque algumas críticas incomodam 

Algumas críticas incomodam até a medula — não apenas pelo que foi dito, mas por quem disse.

Aqui entra uma questão importante: essa pessoa tem autoridade para fazer essa avaliação?
E autoridade, nesse caso, não significa poder ou hierarquia, mas competência e legitimidade. Ela conhece os fatos? Estava presente na situação? Tem experiência ou responsabilidade sobre aquilo que está avaliando?

Na perspectiva kantiana, todo julgamento precisa de fundamento. E autoridade.

Quando alguém critica sem conhecer o contexto ou sem ter critérios claros, o que parece é que não estamos diante de uma análise racional, mas de uma opinião solta.

Além disso, o contexto também influencia muito o impacto da crítica.

  • Era o momento adequado para falar aquilo?
  • O assunto ainda é atual ou é algo do passado já resolvido?
  • A crítica foi feita em particular ou expôs a pessoa diante de outros?

Mesmo uma observação pertinente pode se tornar inadequada se for feita no tempo errado ou da maneira errada. Kant nos lembra que o uso da razão exige responsabilidade — e isso inclui considerar circunstâncias e consequências.

É aí que surgem os incômodos.

Muitas vezes, o desconforto diante de uma crítica aparece porque ela não cumpre esse papel racional que Kant propõe. Em vez de analisar um comportamento específico, a crítica pode:

  • Soar injusta, quando a percepção de quem critica não corresponde aos fatos ou ignora o contexto;

  • Ter caráter depreciativo, quando não busca melhorar algo, mas diminuir a pessoa;

  • Generalizar, atacando “quem você é” em vez de apontar “o que você fez”;

  • Revelar interesse próprio, quando o objetivo é beneficiar quem critica e não contribuir para o crescimento do outro.

Quando a crítica é fundamentada, específica e respeitosa, ela pode ser uma ferramenta de aprendizado. Mas quando ela perde o critério, perde também o caráter racional — e passa a provocar reações como raiva, vergonha ou defensividade.

Desenvolver maturidade emocional envolve justamente aprender a fazer essa distinção: perceber quando estamos diante de um exame legítimo das nossas atitudes e quando estamos apenas recebendo um julgamento sem fundamento.


 

 

 

Referência em ABNT

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.

(Obra original publicada em 1781.)

 

 




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Psicoterapia Humanizada em SP

 

Psicoterapia Humanizada

O que é Psicoterapia Humanizada?

Esta é uma abordagem centrada na pessoa, que valoriza profundamente sua história e forma de sentir. Mais do que focar apenas em sintomas, o objetivo é compreender o indivíduo como um todo, oferecendo um espaço de escuta acolhedora e sem julgamentos.recendo um contato mais próximo consigo mesmo e com aquilo que faz sentido na sua vida.

Características

Respeito ao tempo do paciente, escuta empática e ausência de julgamentos. O processo é construído em conjunto, com foco na relação terapêutica e no autoconhecimento.

Para quem é indicada?

Para quem deseja se compreender melhor, lidar com emoções ou atravessar momentos difíceis. Também pode ser um caminho de desenvolvimento pessoal.

Fundamentos da Psicoterapia Humanista

Inspirada em Carl Rogers, a psicoterapia humanista propõe que o processo terapêutico se sustenta na qualidade da relação entre terapeuta e paciente, mais do que em técnicas rígidas. É nesse encontro que se cria um espaço seguro para o desenvolvimento emocional.

Congruência

Refere-se à autenticidade do terapeuta na relação. Estar presente de forma verdadeira favorece um encontro mais real, onde o paciente pode se sentir mais à vontade para ser quem é.

Compreensão Empática

É a capacidade de compreender o mundo interno do outro a partir da perspectiva dele, com uma escuta profunda e sem julgamentos.

Consideração Positiva Incondicional

Consiste em aceitar a pessoa como ela é, reconhecendo seu valor independentemente do que ela traz, criando um ambiente de segurança emocional.

“Quando alguém realmente nos escuta sem nos julgar, sem tentar nos moldar, algo dentro de nós começa a se transformar.”
“Ser profundamente compreendido por outra pessoa é uma das experiências mais libertadoras que podemos ter.”

— Carl Rogers